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Algumas curiosidades

Por Tarcila Zonaro

“Ônibus 174” foi o primeiro filme dirigido por José Padilha.
Posteriormente, o diretor utilizou as entrevistas e histórias dos 15 policiais do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) que trabalharam durante o seqüestro do ônibus, para compor os personagens de Tropa de Elite.

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O documentário “A Pessoa é para o que Nasce” começou como um curta-metragem de 6 minutos e percorreu vários festivais no Brasil e no mundo.
A adaptação para o longa-metragem levou 3 anos para ser finalizada.

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Sílvio Tendler, diretor de “Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá”, conheceu o geógrafo Milton Santos em 1995, na época em que dirigia Josué de Castro – Cidadão do Mundo.
Foi a última entrevista audiovisual concedida pelo geógrafo, já que veio a falecer 6 meses depois.

Confira a galeria de fotos do dia 16/5/2008.

Por Charles Antunes

Para fechar a 2ª Cinemada de Jornalismo, foi exibido na noite de sexta-feira, 16, o documentário francês “Ser e Ter”, de Nicholas Philibert. Nele, as câmeras registram o cotidiano do professor George Lopez numa escola da cidade interiorana de Auvergne. O interessante do sistema de ensino retratado é a didática multidisciplinar utilizada para conduzir uma classe com 13 alunos entre quatro e 11 anos. O método só funciona graças ao carinho, disciplina e dedicação adquiridas pelo professor, em 35 anos de profissão.

Para comentar e debater o filme, os professores da UniSant’Anna: Marcos Horácio, Vânia da Silva e Gustavo Souza, discutiram aspectos estéticos, sociais, éticos, relações familiares e humanas para a formação do indivíduo na sociedade.

O método parece utópico, desde a escolha do lugar e das crianças, até o tom conservador e paternal do educador. Os espectadores sentem vontade de ter uma escola como aquela para seus filhos e a frustração por não ter tido aquele ambiente de aprendizado em suas vidas, parafraseando o professor Marcos Horácio.

O modelo exibido não parece real, e é o tipo de ensino que hoje, seria inviável, pelo menos no Brasil; por vários motivos, sejam sociais, pedagógicos ou econômicos. A classe do professor George é como a paisagem bucólica de Auvergne – linda e distante…

Ser e ter, 16/5

O documentário retrata estudantes dos quatro aos 11 anos. É mostrado o processo de formação de identidade.
Após a exibição na noite de 16/5, haverá debate com os professores Vânia da Silva e Marcos Horácio. Bloco I, 6º andar, auditório 1. Apareça!

Ficha técnica:
Título em português: Ser e ter
Título Original: Être et avoir, França
Gênero:
Documentário
Diretor: Nicolas Philibert
Duração: 104 min.
Distribuidora(s): Mais Filmes
Produtora(s): Canal+, Centre National de Documentation Pédagogique, Centre National de la Cinématographie, Gimages 4, Les Films d’Ici, Maïa Films, arte France Cinéma
Estréia: 21/5/2004

Veja trailer:

Por Rodrigo Cezzaretti

Comovente. Essa é a única palavra encontrada para sintetizar o que foi a noite de 15 de maio na Cinemada da UniSant’Anna. O evento transcorria tranqüilamente, com a organização devidamente encaixada e um ótimo DVD do Jorgen Ben Jor tocando para receber o público. Alguma coisa me dizia que essa noite seria diferente. Algo estranho rondava meus pensamentos e uma sensação profunda de bem-estar tomou conta do meu corpo. Sem pestanejar, o mestre de cerimônias deu início ao filme: “A Pessoa é para o que nasce”.
Confesso que não dei atenção necessária ao nome da película (erro crucial, pois só aí, já é um momento de reflexão) e às cenas de abertura, relapso e desatenção.

A partir do terceiro minuto, entendi a profundidade da discussão. Entrei nesse mundo pouco conhecido por mim, e vislumbrei a luta das três ceguinhas pela sobrevivência. A cada cena, uma lição desesperada de vida toma conta da situação. Desafios, desilusões e acima de tudo, simplicidade, são as características mais evidentes no filme. Senti cada angústia e sorriso das personagens como se fossem meus. Quando subiram os letreiros indicando seu final, gerou tristeza geral, evidenciando um sentimento homogêno do público.

O debate pós filme, trouxe uma discussão muito interessante sobre pontos de vista referentes a deficiência visual e características de documentários. Os professores Joel Yamaji, mestre em comunicação e Naira Rodrigues Gaspar, fonoaudióloga e deficiente visual, debateram sobre o filme: as técnicas de filmagem, o olhar da sociedade para a deficiência visual, lições de vida, entre outros.

Foi uma grande noite, e espero que continue assim por esses dias.

Confira a galeria de fotos do dia 15/5/2008.

O documentário retrata três irmãs cegas, Regina, Maria e Conceição, que viveram tocando ganzás e cantando no Norteste.
Haverá debate com os professores Joel Yamaji e Naira Rodrigues Gaspar, após a exibição do filme.

Ficha técnica:
Título Original: A Pessoa é para o que Nasce
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 84 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Estúdio: TV Zero
Direção: Roberto Berliner
Roteiro: Maurício Lissovsky
Produção: Jacques Cheuiche e Leonardo Domingues
Música: Hermeto Pascoal
Fotografia: Jacques Cheuiche
Edição: Leonardo Domingues

Veja crítica:

Por Charles Antunes

Na terceira noite da Cinemada de Jornalismo, as discussões foram em torno do documentário “Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global visto do Lado de Cá”, de Sílvio Tendler. O documentário mostra a partir de depoimentos do geógrafo Milton Santos e de vários outros filmes relacionados à globalização, imperialismo e política econômica mundial, o processo necessário a ser implantado e que agrade as nações ricas e pobres. A tônica do filme é o debate sobre a forma como o processo de integração e homogeneidade mundial vem sendo desenvolvido e como ela poderia vir a ser.

Os professores Luiz Paulo Valente, professor de geografia e o jornalista Cid Barbosa, comentaram o filme e opinaram sobre o processo de globalização, além de responder questões dos alunos de jornalismo e publicidade.

No documentário ficou evidente a divisão mundial em dois grupos distintos: hemisférios norte e sul, ricos e pobres, desenvolvidos e subdesenvolvidos, ambos buscando atingir o mesmo objetivo, no entanto de formas conflitantes, sem chegar a um acordo.

 

Confira a galeria de fotos referente ao dia 14/5/2008.

O Globalitarismo

Por Tarcila Zonaro

Dirigido por Sílvio Tendler, o documentário “Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global visto do lado de cá” traz depoimentos do próprio geógrafo Milton Santos, além de estudiosos de economia e ativistas sociais e políticos.
O tema central enfatiza os problemas que surgiram com a globalização. A opressão dos países ricos aos países mais pobres e subdesenvolvidos, proporcionando discrepante diferença entre o hemisfério norte e o hemisfério sul.
Santos critica o fato do homem deixar de ser o centro do universo, posto atualmente ocupado pelo dinheiro.

Por meio de imagens, vemos os protestos na Bolívia, Argentina, Brasil e em um fórum que sugeria a privatização da água potável.

O geógrafo aponta as grandes corporações, o poder internacional, a inexistente democracia e a mídia como forma de manipulação; os reais vilões do “globalitarismo”, ou seja, uma nova forma de totalitarismo. Ele ainda destaca que nunca houve humanidade e que se alguma atitude for tomada, deverá partir das classes pobres e dominadas.

Vemos ainda que, apesar de toda a dificuldade enfrentada, existem pessoas e grupos os quais conseguem se expressar e mostrar um pouco dessa realidade, como os rappers de Ceilândia, cidade satélite com alto índice de violência. Por meio da música eles reforçam suas identidades de moradores da periferia e fazem uso da arte para protestar e amenizar as dificuldades.

Outro exemplo significativo é o da cineasta Aline Sasahara que registra o dia-a-dia do MST e ainda explica de maneira inteligente que a mídia mostra o que quer e da maneira que quer que o povo veja — “acontecem milhares de coisas todos os dias, mas a mídia mostra apenas algumas dessas coisas, dando a falsa idéia de que só aconteceu o que foi mostrado.”

A mídia maquia a verdadeira globalização. Por meio da persuasão é desenvolvida a capacidade de convencer a grande massa popular, reforçando a idéia de que as desigualdades provocadas pela globalização se fazem necessárias em detrimento do bem comum.

De forma subjetiva, a mídia atinge seus objetivos no que diz respeito a reforçar as ideologias, transformar identidades, vender produtos e ideais de beleza, além de esteriotipar determinado povo ou cultura, como acontece com o Movimento dos Sem Terra.

De acordo com Milton Santos, existem três globalizações, a primeira é o mundo que nos fazem ver; a segunda seria o mundo tal como ele é — “a globalização como perversidade” — e a terceira seria uma outra globalização: o mundo como ele pode ser.
O documentário foi premiado com o Candango de Melhor Filme – Júri Popular, no Festival de Brasília, em 2006.

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