Por Rodrigo Cezzaretti
Comovente. Essa é a única palavra encontrada para sintetizar o que foi a noite de 15 de maio na Cinemada da UniSant’Anna. O evento transcorria tranqüilamente, com a organização devidamente encaixada e um ótimo DVD do Jorgen Ben Jor tocando para receber o público. Alguma coisa me dizia que essa noite seria diferente. Algo estranho rondava meus pensamentos e uma sensação profunda de bem-estar tomou conta do meu corpo. Sem pestanejar, o mestre de cerimônias deu início ao filme: “A Pessoa é para o que nasce”.
Confesso que não dei atenção necessária ao nome da película (erro crucial, pois só aí, já é um momento de reflexão) e às cenas de abertura, relapso e desatenção.
A partir do terceiro minuto, entendi a profundidade da discussão. Entrei nesse mundo pouco conhecido por mim, e vislumbrei a luta das três ceguinhas pela sobrevivência. A cada cena, uma lição desesperada de vida toma conta da situação. Desafios, desilusões e acima de tudo, simplicidade, são as características mais evidentes no filme. Senti cada angústia e sorriso das personagens como se fossem meus. Quando subiram os letreiros indicando seu final, gerou tristeza geral, evidenciando um sentimento homogêno do público.
O debate pós filme, trouxe uma discussão muito interessante sobre pontos de vista referentes a deficiência visual e características de documentários. Os professores Joel Yamaji, mestre em comunicação e Naira Rodrigues Gaspar, fonoaudióloga e deficiente visual, debateram sobre o filme: as técnicas de filmagem, o olhar da sociedade para a deficiência visual, lições de vida, entre outros.
Foi uma grande noite, e espero que continue assim por esses dias.